Versão em português por abaixo

By the CwC team

(c) Casey Ryan

An open-access paper summarising key findings on livelihoods, vulnerability and coping with Covid-19 in rural Mozambique from the Livelihood impacts of coping with Coronavirus in rural Africa’ (CwC) research project has just been published in World Development. In this blog post, we summarise key findings and reflections from the paper, and the questions it raises for further research. 

We have reported in previous blog posts on setting up our research project, the methodological metamorphoses required, some initial findings, and perceptions of Covid-19 intersecting with a multitude of crises.

The project was a collaboration between the Universities of Edinburgh, Eduardo Mondlane, Manchester, Sheffield and the MICAIA foundation. In CwC, we aimed to co-create knowledge around the livelihood impacts of the Covid-19 lockdown, and the coping strategies employed in contexts of diverse vulnerabilities, building on phone interviews with diverse panels of community members. As Covid brings an additional danger of silencing and invisibilising these important voices, we strived to create spaces for these voices to be heard.

 

Key findings

In this article, we addressed the questions of how Covid non-pharmaceutical interventions (NPIs) affected livelihoods in rural Mozambique, and how these impacts intersected with existing vulnerabilities and crises across different occupations, social groups and genders. Based on phone qualitative interviews (n=441) with 92 interviewees from 9 Mozambican communities (May-July 2020), we showed that non-pharmaceutical interventions (NPIs) significantly reshaped lives and livelihoods, exacerbating existing vulnerabilities and creating new exposures. 

Study districts, communities, panelists, number of study weeks, key livelihood activities and recent major hazards affecting the districts. Source: Authors.

 

(c) Eduardo Castro 2020

There was a paucity of external support from the state or other safety nets for our panelists. State interventions such as restricting transport, trading and distancing, only produced adverse impacts for our panelists. Stall owners had opening times and permissible sales curtailed, eliminating the specifically female livelihood of brewing traditional drinks. Travel restrictions significantly affected diverse occupations such as transport operators, wholesale-to-retail vending, stall operators struggling to refill stock, and charcoal producers, whose train links to wholesalers and urban customers ceased altogether. For many panellists especially in the charcoal communities, this led to elevated levels of food insecurity and hunger, prompting interviewees to rely more strongly on environmental resources including forest food products.

(c) Andrew Kingman 2020

Our empirical data shows vulnerabilities being accentuated or created by Covid in ways that may require rethinking vulnerability and coping. School closures and social distancing at water collection points meant greater workloads for women, children lost out on education and girls were at risk of early marriage, while isolation of the elderly was accentuated. Charcoal production, a rare opportunity for cash income in many parts of rural Sub-Saharan Africa, was not a highly effective coping strategy under Covid given a breakdown of transport links, reliable pricing and sales opportunities. The better-off, such as transport operators or larger-scale agricultural sellers, who would ordinarily be expected to benefit from diversification, were unable to do so given the hyper-covariate nature of Covid and NPIs leading to border closures, distancing and transport restrictions. The only value chains which largely continued to function were those involving socially-oriented investors with civic-based priorities, including maintaining fair livelihoods for baobab collectors and honey producers. In contrast, agricultural and charcoal value chains either collapsed or saw producer prices and volumes reduced.

What has come out of the project?

We have put together a non-academic report of all findings in English and Portuguese in addition to this blog series. In addition, findings and Covid information have been shared locally e.g. through posters or radio programmes.

In terms of further research, we hope to continue engaging with the degree to which local coping strategies can be promoted or upscaled, how vulnerabilities and Covid-19 interact and intersect, and link to broader issues around environmental and other crises. We were surprised by how central different value chains were to shaping lives and livelihoods in response to Covid NPIs, which we hope to pursue further conceptually and empirically: we are working on another paper which explores the value-chain dimension of our work more systematically. Abiding power asymmetries in value chains, and the ways they were accentuated under Covid, thus merit further research.

Thank you!

A tremendous thank you to everyone who has been involved in the project. Especially the longer questionnaires posed a significant challenge to our interviewers, and we appreciate all their time, energy and commitment in conducting a total of 441 phone interviews across nine communities.

Just as large a thank you goes to all our interviewees, who gave generously of their time to answer our questions insightfully, reflectively and patiently, and all research partners for their support, including the District Governments of Guro, Mabalane, Mabote, Mapai, Sussundenga and Tambara. Thank you also to the University of Edinburgh’s Land Team, especially Geoff Wells and Ellie Wood, for helpful comments and constructive discussion on our paper – all errors remain our own.

We are very grateful to the Scottish Funding Council’s/University of Edinburgh’s Global Challenges Research Fund allocation for funding our joint work, as well as for further support from the UK’s Foreign and Development Office and the International Development Research Centre, Ottawa, Canada – all views are our own and do not represent any other organization.

 

“Para prevenir esta doença, temos de ficar em casa, mas se ficarmos em casa, morremos de fome” – Meios de vida, vulnerabilidade e enfrentar a Covid-19 nas zonas rurais de Moçambique: Artigo publicado em World Development

Por el equipo CwC

(c) Casey Ryan

Acaba de ser publicado em World Development um artigo livre acesso que resume as principais descobertas sobre meios de subsistência, vulnerabilidade e como lidar com o Covid-19 nas zonas rurais de Moçambique a partir de projecto ‘Impactos nos meios de subsistência de lidar com o Coronavírus na África rural’ (CwC). Neste post do blogue, resumimos as principais descobertas e reflexões do artigo, bem como as questões que este levanta para investigação no futuro. 

Já relatámos em posts anteriores a criação do nosso projecto de investigação, as metamorfoses metodológicas necessárias, algumas descobertas iniciais, e as percepções do Covid-19 que se cruzam com uma multiplicidade de crises

O projecto foi uma colaboração entre as Universidades de Edimburgo, Eduardo Mondlane, Manchester, Sheffield e a fundação MICAIA. No CwC, o nosso objectivo era co-criar conhecimento sobre os impactos do encerramento do Covid-19, e das estratégias de sobrevivência empregadas em contextos de diversas vulnerabilidades, fazendo entrevistas telefónicas com diversos painéis nas comunidades investigadas. Como o Covid traz um perigo adicional de silenciar e invisibilizar estas vozes importantes, esforçamo-nos por criar espaços para que estas vozes sejam ouvidas.

Principais conclusões

Neste artigo, abordamos as questões de como os intervenções não-farmacêuticas da Covid afectaram os meios de subsistência nas zonas rurais de Moçambique, e como estes impactos se cruzaram com as vulnerabilidades e crises existentes em diferentes ocupações, grupos sociais e géneros. Com base em entrevistas qualitativas por telefone (n=441) com 92 entrevistados de 9 comunidades moçambicanas (Maio-Julho de 2020), mostrámos que as intervenções não-farmacêuticas remodelaram significativamente vidas e meios de subsistência, exacerbando as vulnerabilidades existentes e criando novas exposições. 

Distritos, comunidades, membros do painel, número de semanas do estudo, actividades de subsistência, principais perigos nos distritos. Fonte: Autores.

 

(c) Eduardo Castro 2020

Os nossos dados empíricos mostram vulnerabilidades a serem acentuadas ou criadas pela Covid de formas que podem exigir que se repensem a vulnerabilidade e a capacidade de lidar com ela. Os encerramentos de escolas e o distanciamento social nos pontos de recolha de água significaram maiores cargas de trabalho para as mulheres, as crianças perderam a educação, enquanto se acentuou o isolamento dos idosos e a sua vulnerabilidade a uma nova doença. A produção de carvão, uma oportunidade rara de rendimento monetário em muitas partes da África Subsaariana rural, não foi uma estratégia de sobrevivência altamente eficaz no âmbito da Covid, dada a ruptura das ligações de transporte, preços fiáveis e oportunidades de venda. Os mais ricos, como os operadores de transporte ou os vendedores agrícolas em maior escala, que normalmente beneficiariam da diversificação, não o puderam fazer dada a natureza hiper-covariada da Covid, o que levou ao encerramento de fronteiras, distanciação e restrições de transporte. As únicas cadeias de valor que continuaram em grande parte a funcionar foram as que envolviam investidores socialmente orientados com prioridades de base cívica, incluindo a manutenção de meios de subsistência justos para os colectores de baobás e produtores de mel. Em contraste, as cadeias de valor agrícola e de carvão vegetal ou entraram em colapso ou viram os preços e volumes no produtor reduzidos. Houve uma escassez de apoio externo do estado ou de outras redes de segurança para os nossos painelistas; intervenções estatais como a restrição do transporte, comércio e distanciamento, só produziram impactos adversos para os nossos painelistas. Os proprietários de bancas tiveram os horários de abertura e as vendas permitidas reduzidos, eliminando o modo de vida especificamente feminino da produção de bebidas tradicionais. As restrições de viagem afectaram significativamente diversas profissões, tais como operadores de transporte, venda por grosso a retalho, operadores de bancas que lutam para reabastecer o stock, e produtores de carvão, cujas ligações ferroviárias a grossistas e clientes urbanos cessaram por completo. Para muitos entrevistados, especialmente nas comunidades de carvão, isto levou a níveis elevados de insegurança alimentar e fome, levando os entrevistados a confiar mais fortemente nos recursos ambientais, incluindo os produtos alimentares da floresta. 

O que saiu do projecto?

Elaborámos um relatório não académico de todas as descobertas em inglês e português, para além desta série de blogues. Além disso, os resultados e a informação Covid foram partilhados localmente, por exemplo, através de cartazes ou programas de rádio.

(c) Andrew Kingman 2020

Em termos de investigação adicional, esperamos continuar a envolver-nos com o grau em que as estratégias locais de sobrevivência podem ser promovidas ou ampliadas, a forma como as vulnerabilidades e o Covid-19 interagem e se cruzam, e a ligação a questões mais amplas em torno de crises ambientais e outras. Ficámos surpreendidos com a forma como as diferentes cadeias de valor estão a moldar vidas e meios de subsistência em resposta às NPIs da Covid, que esperamos prosseguir conceptual e empiricamente: estamos a trabalhar noutro artigo que explora mais sistematicamente a dimensão da cadeia de valor do nosso trabalho. As persistentes assimetrias de poder nas cadeias de valor, e as formas como foram acentuadas no âmbito do Covid, merecem assim mais investigação.

Obrigado!

Um enorme obrigado a todos os que têm estado envolvidos no projecto. Especialmente os questionários mais longos colocaram um desafio significativo aos nossos entrevistadores, e apreciamos todo o seu tempo, energia e empenho na realização de um total de 441 entrevistas telefónicas em nove comunidades. 

Um agradecimento igualmente grande vai para todos os nossos entrevistados, que generosamente deram o seu tempo para responder às nossas perguntas de forma perspicaz, reflexiva e paciente, e para todos os parceiros de pesquisa pelo seu apoio, incluindo os Governos Distritais de Guro, Mabalane, Mabote, Mapai, Sussundenga e Tambara. Obrigado também à Land Team da Universidade de Edimburgo, especialmente Geoff Wells e Ellie Wood, pelos comentários úteis e pela discussão construtiva sobre o nosso documento – todos os erros continuam a ser nossos.

Estamos muito gratos ao Scottish Funding Council’s/University of Edinburgh’s Global Challenges Research Fund pela atribuição do financiamento do nosso trabalho conjunto, bem como pelo apoio adicional do Foreign and Development Office do Reino Unido e do International Development Research Centre, Ottawa, Canadá – todas as opiniões são nossas e não representam qualquer outra organização.

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